Jovem cristão cria o aplicativo Fala Comigo para crianças autistas não verbais

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Interface do aplicativo Fala Comigo

Para o aluno Henrique Ernesto Rodrigues Costa, servir a Deus também passa pela tecnologia. Jovem batista e membro da Primeira Igreja Batista em Parauapebas, ele integra a equipe que desenvolveu o Aplicativo Fala Comigo, que tem a proposta de trazer apoio à comunicação de crianças autistas não verbais. A iniciativa aproxima cristianismo, autismo e inclusão de uma necessidade cotidiana: permitir que uma criança expresse fome, sede, desconforto ou uma escolha. Mais do que desenvolver software, esse projeto é uma verdadeira oportunidade de amar o próximo.

Em entrevista ao blog Teólogo Pedro Barros, ele compartilhou a origem do projeto, o papel da oração nessa caminhada e suas expectativas para escolas, famílias e igrejas. Sua história revela como a formação profissional pode fazer conexão com o serviço cristão. O link disponibilizando a entrevista estará no final do artigo.

Fé e tecnologia a serviço do próximo

O projeto está vinculado ao Bacharelado em Engenharia de Software da Universidade do Estado do Pará — UEPA, polo Curionópolis. Nesse ambiente acadêmico, Henrique participou de uma experiência que conectou conhecimento técnico, responsabilidade social e convicções pessoais. A motivação nasceu de uma situação concreta. Segundo ele, um colega da equipe, diretor de uma escola em Curionópolis, relatou as dificuldades de comunicação de duas crianças autistas não verbais atendidas na instituição. O problema não era simplesmente acompanhar as crianças. Era compreender o que desejavam comunicar quando a fala não estava disponível.

“Mesmo com o tutor ali perto da criança, perto do neurodivergente, o tutor tem que adivinhar o que que a criança quer falar.”

Esse relato mobilizou a equipe a pesquisar alternativas. Para Henrique, a resposta precisava ser simples, acessível e útil em situações comuns, como pedir água ou indicar uma necessidade.

A oração acompanhou o desenvolvimento

Na entrevista, Henrique não apresenta sua fé como um detalhe separado da vida acadêmica. Ele relata que a oração esteve presente durante a realização do trabalho.

“A gente sempre esteve em oração sobre esse projeto para que ele fosse concluído com sucesso, para a gente conseguir levar ele pra frente.”

Sua compreensão de vocação também ultrapassa as atividades realizadas dentro da Igreja. Ele associa o exercício profissional ao compromisso cristão com o bem do outro:

“Se eu tô ajudando o outro, independente de qual área, eu tô servindo à obra do Senhor.”

Essa perspectiva faz conexão com a palavra de Deus em 1 Pedro 4:10, que orienta os cristãos a usarem os dons recebidos no serviço mútuo. Na trajetória narrada por Henrique, a engenharia de software aparece como uma possibilidade concreta de viver esse princípio.

Uma criação coletiva: conheça os autores e orientadores

Embora a experiência de Henrique seja o centro desta história, o aplicativo para crianças autistas não verbais é fruto de trabalho coletivo. A autoria reúne:

  • Dédalo Dorneles Ferraz de Oliveira;
  • Henrique Ernesto Rodrigues Costa;
  • Igor Herculano Silva.

A orientação é do Prof. Esp. Wilker José Caminha dos Santos, com coorientação da Dra. Milta Mariane da Mata Martins.

O trabalho recebeu o título “Fala Comigo: aplicação mobile de apoio à inclusão de alunos com Transtorno do Espectro Autista não verbal”. A apresentação fornecida identifica a UEPA como instituição responsável pelo andamento do projeto. Os materiais atribuem à equipe a pesquisa, a análise comparativa e o desenvolvimento da solução, mas não detalham a divisão individual das tarefas. Essa distribuição é uma informação contida na própria dinâmica dos alunos. Reconhecer todos os participantes preserva o caráter colaborativo da iniciativa. O protagonismo de Henrique como jovem cristão não diminui a contribuição dos demais autores nem o acompanhamento dos orientadores.

Como funciona o Aplicativo Fala Comigo?

O Aplicativo Fala Comigo foi criado como uma ferramenta de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA). Essa abordagem reúne recursos que complementam ou oferecem alternativas à fala para pessoas com necessidades complexas de comunicação. Na prática, a interface organiza botões em uma grade visual. Cada botão associa um símbolo a uma mensagem, e o aparelho reproduz a frase em voz alta quando ele é acionado.

Entre os exemplos apresentados estão:

  • “Sim” e “não”;
  • “Estou com fome” e “estou com sede”;
  • Expressões de emoções e desconfortos;
  • Interações sociais, como “obrigado” e “desculpe”.

A imagem fornecida também ilustra essa proposta, exibindo necessidades cotidianas e manifestações de afeto. O objetivo é ampliar as possibilidades de expressão sem exigir leitura como condição de uso.

Emojis, síntese de voz e uma interface simples

Henrique explica que a equipe escolheu emojis para representar mensagens visualmente. A intenção foi aproveitar símbolos familiares e reduzir a dependência do letramento. Entretanto, a compreensão desses símbolos não deve ser considerada universal. Cada criança pode precisar de apresentação gradual, mediação e adaptações conforme suas habilidades e preferências.

Segundo os materiais acadêmicos, a solução utiliza React Native e Expo, com proposta multiplataforma para Android e iOS. A síntese de voz é realizada pela biblioteca expo-speech, que transforma o texto associado ao botão em fala. A apresentação também descreve JavaScript e Node.js na estrutura tecnológica. Além disso, registra um recurso para repetir a última frase e prevê futuras ampliações, como novas mensagens, PIN e controle de intervalo entre acionamentos.

Essas últimas possibilidades são apresentadas como evoluções previstas, não como funcionalidades integralmente disponíveis.

Da necessidade escolar ao desenvolvimento responsável

O processo de criação envolveu pesquisa bibliográfica e documental, levantamento de requisitos, comparação de ferramentas e desenvolvimento do software. Entre as referências estão estudos sobre autismo, tecnologias assistivas e inclusão escolar. A equipe também recorreu à BNCC e à Lei Brasileira de Inclusão, relacionando acessibilidade comunicacional ao direito de participar e aprender com equidade.

Na entrevista, Henrique relata que a busca inicial não encontrou uma solução que atendesse ao que procuravam. Os próprios slides, porém, reconhecem ferramentas existentes, como PictoTEA e ABC Autismo, com propostas e características distintas. Assim, o diferencial pretendido pelo Fala Comigo não é inaugurar a comunicação alternativa digital. É oferecer uma combinação de simplicidade visual, comunicação cotidiana e síntese de voz em português.

O que já foi avaliado e o que ainda precisa ser testado

Um detalhe importante da entrevista é a transparência sobre o estágio do projeto: o aplicativo ainda não havia sido testado com crianças em ambiente escolar. Henrique descreve uma avaliação baseada em literatura e cenários construídos a partir das referências consultadas. Embora use a expressão “de forma empírica”, seu relato não descreve uma pesquisa de campo com estudantes.

A apresentação confirma como próximo passo a submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa, seguida de validação empírica e avaliação do impacto na escola pública. Portanto, os benefícios para as crianças representam potencial de aplicação, e não resultados clínicos ou educacionais já comprovados nesse aplicativo. Informações ficam a cargo da própria instituição de ensino que é a detentora oficial do aplicativo no momento.

Autismo e inclusão na igreja: uma questão de dignidade

Ao imaginar novos contextos de uso, Henrique menciona famílias e comunidades cristãs:

“Por que não dentro de igrejas, né? Porque é um meio, um tipo de inclusão. Todo mundo tem o direito de se comunicar.”

Sua reflexão encontra fundamento na dignidade humana. Em Gênesis 1:27, a criação à imagem de Deus oferece uma base teológica para reconhecer o valor de cada pessoa, independentemente de sua capacidade de falar. Por isso, a inclusão na igreja não deve ser entendida apenas como permitir a presença física. Ela envolve remover barreiras à participação, respeitar diferentes formas de comunicação e reconhecer escolhas. A ausência de fala não significa ausência de comunicação.

Possibilidades para a escola bíblica e o ministério infantil

Henrique imagina o aplicativo apoiando situações da escola bíblica: indicar sede, responder a uma pergunta ou demonstrar que deseja ouvir uma explicação novamente. Com avaliação individual e orientação adequada, recursos de CAA podem integrar práticas de acolhimento. Entretanto, a tecnologia precisa vir acompanhada de atitudes concretas:

  • Ouvir a criança e seus responsáveis;
  • Respeitar recusas e sinais de desconforto;
  • Preparar professores e voluntários;
  • Considerar necessidades sensoriais;
  • Buscar colaboração de profissionais qualificados.

A participação espiritual também merece cuidado. A dignidade da criança e seu pertencimento à comunidade não dependem de uma resposta verbal, nem devem ser reduzidos ao acionamento de um botão. Nesse sentido, tecnologia cristã descreve aqui uma motivação de serviço, não uma ferramenta restrita a cristãos. O compromisso com o próximo deve alcançar pessoas de qualquer crença.

Conclusão: quando os talentos se tornam cuidado

A história de Henrique Ernesto mostra um jovem cristão batista procurando transformar conhecimento em cuidado. Ao lado de Dédalo, Igor e dos orientadores, ele participou da criação de uma ferramenta que busca reduzir barreiras de comunicação. O Aplicativo Fala Comigo ainda precisa avançar na avaliação com usuários. Mesmo assim, sua proposta já provoca uma pergunta relevante: como nossos talentos podem contribuir para uma sociedade e uma igreja mais inclusivas?

Henrique resume seu incentivo de maneira direta:

“Eu acho que é algo importante a gente dar o primeiro passo. Sabe? Com Deus, mas dar o primeiro passo.”

À luz do mandamento de amar o próximo, em Marcos 12:31, esse primeiro passo pode acontecer na programação, na educação, na saúde ou no acolhimento comunitário. Servir também é criar condições para que o outro seja compreendido, respeitado e ouvido. Esse encorajamento serve para você também. Cada pessoa com seus dons e talentos, podem utiliza-los para fazer uma parcela de bem que esse mundo precisa.

Fontes utilizadas: entrevista de Henrique Ernesto concedida ao blog Teólogo Pedro Barros; apresentação acadêmica do projeto Fala Comigo, disponibilizada pelo aluno Henrique Ernesto; imagem fornecida da interface na própria apresentação do projeto.

Link da Entrevista: Clique aqui.

Veja mais!

Comments

6 respostas a “Jovem cristão cria o aplicativo Fala Comigo para crianças autistas não verbais”

  1. Avatar de Marcia
    Marcia

    Parabéns meu sobrinho, sabemos que junto a inteligência dada por Deus a vc existe os ensinamentos e princípios passados por seus pais. Parabéns Marta ( mana ) e Edson, Vcs também são merecedores dessa conquista. Sucesso meu Sobrinho Henrique, sabemos que o céu será o seu “Limite “, voe… voe alto. Bju da tia coruja Marcinha😘

  2. Avatar de Maria nilvanda sousa Alves da Silva
    Maria nilvanda sousa Alves da Silva

    Quê maravilha esse projeto, sucesso,que Deus continue te guiando e que mas trabalho como esse venha pra ajudar pessoas, estou na torcida orando sempre por vocês.

  3. Avatar de Lucilene
    Lucilene

    Parabéns, que o Senhor continue abençoando a sua vida

  4. Avatar de Edson
    Edson

    Parabéns Henrique Deus continue sendo seu alvo maior

  5. Avatar de Edna Rodrigues
    Edna Rodrigues

    parabéns Henrique!Que o senhor continue abençoando sua vida nesse grande projeto

  6. […] Jovem cristão cria o aplicativo Fala Comigo para crianças autistas não verbais […]

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